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montesclaros.com - Ano 26 - quinta-feira, 18 de junho de 2026
 

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Mensagem: Raul Soares Manoel Hygino Em maio passado, a transferência dos últimos internos do Hospital Colônia em Barbacena para casas de acolhimento na cidade pareceu fim de uma época perversa na história de doentes mentais no Estado, e, por que não dizer, do país. Foram 14 os transferidos, seis homens e oito mulheres. Pedro Salles, médico, da turma de Juscelino, viveu 92 anos, e é o historiador daquele tempo difícil que virou passado. Pedro Salles relata: “A assistência aos doentes mentais foi uma página triste da Medicina em Minas. Até os primeiros anos do século, o Estado mantinha contrato com o Hospício Nacional do Rio, para internação de até 25 doentes, enviados com guia oficial. Alguns outros eram abrigados em pavilhões anexos à Santa Casa de São João del-Rei e Diamantina, e o restante ia simplesmente para as cadeias. A própria nomenclatura empregada em documentação oficial era ‘vexatória’, mas, em 1903, instalou-se o Hospital Central de Barbacena, o mais antigo estabelecimento oficial de assistência a alienados em Minas”. A ele junta-se, pouco depois, a Colônia de Alienados, destinada aos doentes transferidos do hospício e capazes de realizar trabalho agrícola. Em 1908, por decreto, regulamentou-se a assistência em estabelecimentos oficiais e a fiscalização a instituições particulares. Em 1920, Arthur Bernardes empreendeu uma “reforma sistemática e integral de nossos péssimos serviços de assistência a alienados”, como dito na própria mensagem do presidente do Estado. Previam-se reformas e melhorias nas instalações de Barbacena, e concluiu-se a construção de um estabelecimento em 1922, dois anos após denominado Raul Soares. Pedro Salles observou: “Era uma nova fase no campo da Psiquiatria, em que o Hospital deixava de ser um simples depósito e segregação de doentes, para tornar-se um centro de tratamento e recuperação, dotado de instalações adequadas, como fisioterapia, salas de cirurgia, etc. O primeiro diretor foi o dr. Alexandre Drummond, professor de Psicologia e Higiene na Escola Normal e ainda interino de Psicologia na Faculdade de Medicina. Embora não fosse psiquiatra de carreira, dirigiu o Instituto, com especial carinho na assistência aos menores, e com eficiência toda a casa. Isso não impediu que, depois de morto, enfrentasse a acusação de usar meios violentos e de coerção aos internados, o que era inteiramente falso, pois só poderia levantar tal julgamento quem não o conhecesse, segundo ainda Pedro Salles.

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