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Mensagem: Mais que uma lagoa Manoel Hygino “Lagoa da Memória – Histórias que vivi”, contendo contos e crônicas, é o título do trabalho de Ucho Ribeiro, lançado no ocaso de 2025, que começo a ler. Preciso dizer antes de tudo: o autor é sobrinho de Darcy Ribeiro, que o Brasil conhece e reconhece, dentre outros méritos, fundador da Universidade de Brasília; Ucho é filho de Mário Ribeiro, médico e ex-prefeito de Montes Claros e de Jacy, também autora de excelente volume de comentários sobre educação, cuja leitura vale a pena. O autor relata com desenvoltura as trampolinagens de sua infância tão feliz quanto poderiam ser as de uma criança na cidade sertaneja, berço de filhos ilustres, dos quais dois chegaram à Academia Brasileira de Letras, mas também dos que se forjaram enfrentando a vida com suas peripécias e épicas aventuras. São inúmeras histórias (com e sem agá) descritas sem a preocupação de linguagem castiça, às vezes antes pelo contrário. Mas há autenticidade nos fatos resgatados, numa sucessão típica de quem não se importou com vocábulos extraídos no dia-a-dia e comuns na região e na época relatada. Um volume que se caracteriza pela autenticidade do texto, que não evitou a inserção da palavra chula de expressões próprias das crianças daquele tempo, que faz o escritor ter vontade de voltar ao passado, sentindo saudade de um tempo mais feliz. Há muitas indagações: “Não vejo crianças nas ruas, nem o rio correndo vistoso e piscoso. Não ouço mais a gritaria da meninada, apenas buzinas e freadas. O cheiro da torrefação do café foi substituído pela ameaça de carros e ambulâncias”. “Onde guardei as minhas bolinhas de gude, minha manivela de 16 cruzetas e meu álbum completo de figurinhas, são quistos”? Hoje, tudo está cimentado, asfaltado, enterrado em nossa memória. Tudo passou, foi embora, levado para longe, como as enchentes do rio, que arrastavam madeiras, fogões, obras, portas, vidas e sonhos. “Resto-me só, desesperado, neste caos urbano, anônimo, tentando aspirar na memória, inocentemente, um pouco daquele cheirinho de café torrado, na esperança de voltar à minha infância para brincar com aquela meninada alegre e amiga, principalmente com os que se encantaram e nos deixaram saudades”. “Lago da Memória” é, em resumo, uma viagem de volta aos tempos de menino numa progressista cidade sertaneja de Minas, mas também um embalo para o futuro.
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